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Mano, Arrascaeta e Cabral

07/02/2017 às 04:25


Detalhes do funcionamento tático do Cruzeiro que podem fazer entender as escalações do treinador...


Mano, Arrascaeta e Cabral

Mano Menezes gosta que Arrascaeta jogue com liberdade. Em muitos momentos, bastante avançado, se aproximando do atacante mais adiantado da equipe. Nas duas partidas da temporada em que o Cruzeiro atuou com os titulares, o uruguaio chegou a trocar de posição frequentemente com Rafael Sóbis – que tem funcionado como uma espécie de “falso 9”, saindo da área, flutuando, abrindo espaços. Os dois gols que a Raposa anotou em 2017 com bola rolando, inclusive, nasceram em instantes nos quais este câmbio se concretizava. Diante do Villa Nova, no tento anotado por Cabral, esta inversão de papéis foi completa: bem recuado, como um meia, Sóbis lançou para Arrascaeta, que dentro da área, qual um legítimo atacante, ajeitou a bola que acabou sobrando para o volante argentino finalizar.

Toda essa dinâmica, essa mobilidade do ataque, me parece positiva. Sempre digo que a indicação dos sistemas táticos tem sua validade por diversos motivos, mas que está longe de explicar/refletir toda a estratégia, todo o funcionamento de um conjunto. Como os atletas se movimentam, se agrupam, sincronizam suas ações – quando um sobe, outro segura, por exemplo... Tudo isso costuma produzir impacto ainda maior no rendimento de cada esquadrão. Além do mais, dependendo de como as peças programam suas mexidas em campo, das variações pensadas pelo treinador, também se torna mais complicado decretar qual o esquema selecionado por aquele escrete.

Ainda é possível dizer que o Cruzeiro joga no 4-2-3-1. Henrique primeiro volante; Cabral segundo homem; no trio de meias, Robinho pela direita, Arrascaeta centralizado, e Alisson na ponta canhota; Sóbis na frente. Só que justamente pelos pedidos de Mano para que Arrascaeta encoste no atacante mais avançado, na medida em que estas investidas acontecem quando as opções de beirada não estão tão adiantadas, é possível ver os celestes num 4-4-2 (ou 4-4-1-1). Sem a posse, o sistema fica mais nítido: 4-4-2 com duas linhas de quatro fechando bem a marcação, e dois jogadores combatendo de forma mais leve e sem tanta obrigação de recompor, apertando a saída de bola, importunando volantes/defensores inimigos (Arrascaeta e Sóbis são estes que não precisam recuar tanto).

Gosto de Ariel Cabral. Mas mesmo antes das chegadas de Hudson e Lucas Silva, costumava preferir Romero como segundo volante. Vendo o clássico de perto, e refletindo sobre as questões táticas aqui descritas, uma ideia me ocorreu: como Mano gosta que Arrascaeta se lance ao ataque em muitas ocasiões, para não existir um buraco muito grande, frequente, entre os volantes e o meia armador centralizado – que teoricamente seria o próprio uruguaio –, ele escolhe Cabral para o trabalho de segundo homem; afinal, entre as alternativas do elenco azul para o setor – deixando de lado Robinho, que atua por ali circunstancialmente –, o argentino é o que mais se aproxima de um meia, um arquiteto, em determinadas acepções; e como tal, em certo sentido, seria o mais indicado para fazer esse elo, dando ao time, também, mais uma opção de armação pelo centro – algo que poderia ser “perdido” por instantes preciosos quando Arrascaeta estivesse mais como atacante e Robinho, que sai do lado para construir por dentro, se encontrasse aberto.

Em um futebol no qual se prega que todos devem fazer de tudo, grosso modo: Arrascaeta seria um híbrido de armador e atacante, e Cabral uma mistura de volante com meia. Com tudo isso, com jogadores, digamos, teoricamente mais completos, o todo ficaria mais homogêneo, a “soma” de características daria um “número maior”, e a combinação, a harmonia entre os setores, as linhas, ficaria mais garantida.

Não quero com estes argumentos dizer que estou definitivamente convencido de que Cabral deve ser titular. O objetivo aqui é apenas pensar, aprofundar, e tentar entender a cabeça do treinador – exercício válido principalmente quando ele é tão bom quanto Mano Menezes.

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