Clique e ouça
Carregando ...
Apresentação
Domingos-savio-baiao
Coluna do Domingos Sávio Baião
16/08, 10:41 h / Atualizado em 19/08, 15:45 h

Basta! Estádio de futebol não é praça de guerra

Basta! Estádio de futebol não é praça de guerra

Sei que é difícil tocar neste assunto, pois envolve pessoas, sentimentos e paixões, mas não dá para continuar a fazer ‘vistas grossas’ ao que vem acontecendo nos estádios de futebol. É preciso dar um basta nos ataques pessoais das torcidas aos considerados adversários: torcedores, atletas e até aos membros da arbitragem. Fatos graves, que em nada colaboram com as boas relações sociais, onde o respeito é a base de tudo. Valor ausente em grande parte dos torcedores que vão aos estádios, sejam eles membros de torcidas organizadas ou não. Pior é que muitos dos que entram no clima são pessoas de bem, que têm formação para viver bem em comunidade, mas que mudam de personalidade quando estão nos estádios.

Na última sexta-feira fui ao Mineirão para assistir Brasil e Austrália, Jogos Olímpicos, futebol feminino, e no sábado, três da tarde, ao campo do Guarani, em Pará de Minas, para assistir Cruzeiro e Atlético, Campeonato Mineiro sub-20. Nos dois espetáculos sobraram atitudes inconvenientes e desprezíveis de boa parte do público torcedor. No caso do Mineirão, até mesmo denegrindo a imagem do Brasil, visto que o jogo foi mostrado para o mundo inteiro. Nem vou comentar aqui os ataques, não menos condenáveis, entre torcedores cruzeirenses e atleticanos, que estavam lá por um mesmo objetivo, o de torcer pelo Brasil. Vou deter-me aos palavrões e xingamentos proferidos por boa parte do público presente, dirigidos à árbitra principal do espetáculo, em quase todas as marcações contra a seleção brasileira, certas ou erradas, fato que não pode e nem deve continuar sendo tratado como normal nos estádios de futebol. Para você, que esteve no Mineirão e está ouvindo ou lendo este artigo, caso sirva a carapuça do fato abordado, faz-se necessária uma mudança de postura nas próximas oportunidades. Vamos fazer a nossa parte para uma melhor imagem do nosso país, que já sofre muito com tantas outras mazelas. Não pense que no campo de futebol tudo é permitido. Para a esmagadora maioria das pessoas de bem, que preservam o respeito e a boa educação, tenho certeza que não é.

No clássico sub-20 entre Cruzeiro e Atlético, a situação foi ainda mais grave e, neste caso, mais específica, pois foram atitudes exclusivas de facções de torcidas organizadas da cidade. No campo do Guarani de Pará de Minas os ataques não foram apenas contra os membros da arbitragem, foram até mais fortes contra atletas e torcedores adversários. Não dá para descrever aqui o que vi e ouvi, ainda que tudo tenha sido visto e ouvido também por crianças e por todas as outras pessoas que foram lá para assistir a um jogo de futebol. Permita sugerir aos praticantes de tais atos que reflitam e que cada um busque uma mudança de postura e de atitudes. Mas quero ir mais longe, é preciso ações mais fortes por parte das nossas autoridades para coibir tais manifestações, que não são nada democráticas e ou de liberdade de expressão. São, na verdade, danosas moralmente às pessoas, sendo, portanto, passíveis de condenações em acordo com as leis e princípios que regem as relações sociais. Isso sem levar em conta o que provoca de ruim em nossas crianças, que gostam do futebol, mas que acabam aprendendo a enxergar o torcedor adversário como inimigo, com reflexos diretos nos encontros sociais, inclusive nas escolas.

Comentários

Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).

Ouvindo: