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A Justiça tarda... E falha!

No dia 28 de janeiro de 2004, uma caminhonete do Ministério do Trabalho percorria a zona rural de Unaí, Noroeste de Minas, quando o veículo foi

27/01/2017 às 06:23
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
A Justiça tarda... E falha!

No dia 28 de janeiro de 2004, uma caminhonete do Ministério do Trabalho percorria a zona rural de Unaí, Noroeste de Minas, quando o veículo foi fechado, homens armados prostraram-se à frente e, um deles, anunciou assalto. O motorista preparava-se para descer quando recebeu o primeiro tiro na cabeça. Seus três colegas, auditores fiscais federais, tiveram o mesmo fim. Treze anos depois, os mandantes do crime continuam soltos, e a autoridade que cuida do caso acaba de avisar que vai demorar para que os irmãos Mânica paguem pela chacina.

Na verdade, queriam matar Nelson José da Silva e, para tal, contrataram os pistoleiros. Quando dos preparativos, descobriram que dois outros fiscais estavam também na cidade, e mais o motorista – este, aliás, dirigia para o delegado regional da época, Carlos Calazans, e pediu para fazer a viagem porque precisava do dinheiro da “diária”. Ligaram para os mandantes e a resposta foi “tora tudo”. Em 2013, os executores do crime foram condenados por homicídio triplamente qualificado. Rogério Alan Rocha Rios foi condenado a 94 anos de prisão, Erinaldo de Vasconcelos Silva a 76 anos de reclusão e William Gomes de Miranda a 56 anos de prisão.

Em outubro de 2015, a Justiça Federal de Minas Gerais condenou Antério Mânica, Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro. Os condenados receberam penas próximas a 100 anos de reclusão em regime fechado. Hugo Alves Pimenta, na condição de réu delator, teve sua pena atenuada, recebendo uma sentença de 46 anos, 3 meses e 27 dias de reclusão. Os quatro entraram com recursos protelatórios no Tribunal Regional Federal 1ª Região (TRF1), em Brasília, com pedido de desaforamento do julgamento realizado em Belo Horizonte (MG). Com esse recurso, os condenados tentam anular a decisão do júri popular realizado na capital mineira, transferindo o caso para a Vara Federal de Unaí para terem direito a um novo julgamento.

Em outubro do ano passado, Carlos Calazans procurou a Justiça Federal em Belo Horizonte para saber da juíza responsável a razão na demora da execução. Não acharam o processo. Agora, nesta semana, esteve em Brasília, em companhia das viúvas, para uma visita ao presidente do Tribunal Regional Federal, Ilton Queirós. Foram bem recebidos, mas o que queriam saber – quando haverá julgamento do recurso, não conseguiram. O desembargador disse aquelas coisas de sempre. Muitos processos, outras prioridades... Calazans lembrou, então, que um dos advogados dos Mânica, Antônio Carlos de Castro, o Kakay, logo após o julgamento em Belo Horizonte, foi jantar com os clientes e falou em voz alta: “Fiquem tranquilos que agora é Brasília, e lá é minha praia”. Segundo ele, o presidente do TRF reagiu com tranquilidade: “Advogado é assim mesmo, fala, fala...”.

Resumindo: quatro mortos, chacinados, em crime premeditado, cuidadosamente planejado, desafiando a Justiça Federal, e, 13 anos depois, quatro viúvas e nove órfãos ficam com o sentimento de Calazans de que, de fato, no Brasil, quando se tem advogado influente, a Justiça tem ritmo diferente, indecente, favorável aos endinheirados.

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