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Apresentação
Eduardo-costa
Coluna do Eduardo Costa
29/12, 14:00 h

Alegria e trabalho

Alegria e trabalho

Na última semana do ano, no rádio e na TV, pedi às pessoas que falassem sobre a expectativa de ganhar a Mega-Sena da virada, estimada em R$ 250 milhões, e fiquei impressionado com as respostas, por um detalhe: o quanto as pessoas sonham com a aposentadoria... Ou, pior, em deixar de trabalhar. Nunca consegui me imaginar sem labuta, seria difícil suportar meses a fio sem ocupação e, confesso, tenho preferência sempre por parcelar minhas férias, ou seja, 15 dias duas vezes ao ano, e não 30 dias corridos. Não sou dos que só pensam em trabalhar. Amo minha casa, minha família e meus momentos de lazer, de cerveja gelada, prosa à toa e piada ruim.

Trabalhei como boy e adorava, enfrentava a rotina de bancos e ruas centrais com a alegria de quem descobria a cidade, e o ápice da felicidade era tomar uma vitamina de abacate; como ascensorista de hotel, me divertia por perder a melhor parte da conversa (às vezes, o casal entrava no elevador brigando e, no melhor do quebra pau, descia); em anos de banco, como contínuo, escriturário, caixa e procurador sempre era um prazer ir à agência, atender os clientes, ir ao bar com os amigos depois do expediente (que saudades do Tristão!) e, nos últimos 39 anos, trato as dificuldades do jornalismo como desafios, instigantes, e, se não faço tudo o que quero, quando sinto estar de fato contribuindo para um mundo melhor, esqueço os aborrecimentos.

Então, mesmo já aposentado há alguns anos, continuo levantando às 4h ou 5h da manhã, com prazer, para o batente. Alguém dirá: você ganha bem, vive o glamour da mídia... É assim, todo mundo vê as pingas que a gente bebe, mas ninguém liga para os tombos que a gente leva... Tudo tem um preço e só quem tem o dedão sabe onde o calo dói. O que importa é o prazer do trabalho e agradeço a Deus por tê-lo. Queria, de coração, desejar a você em 2017 essa alegria, de fazer o que gosta, e encorajá-lo a mudar de rumo se está infeliz. Não é possível imaginar alguém saindo de casa para um dia inteiro de ralação sem motivação.

Aprendi recentemente que três palavras aparentemente sinônimas são, na verdade, complementares entre si: objetivo, meta e propósito. Vamos tomar como exemplo uma viagem. O destino é o objetivo, a meta é o plano de direção, com possíveis paradas, e o propósito é a razão da viagem. Assim, se você trabalha com algo que não lhe agrada, pense nisso: de repente, você quer vencer (objetivo), não tem um horizonte sólido em longo prazo (propósito) e se mata nas metas (trabalhando, economizando), o que vai transformá-lo, no máximo, em acumulador de riqueza – não trará realização, felicidade... Quantos não estão por aí famosos, endinheirados e infelizes.

E para fechar, divido contigo, caríssimo leitor, texto de Luiz Marins que vale a leitura:

Como será 2017? Quem terá medo desse novo ano? O que fazer? Terá medo de 2017 aquele empresário ou empreendedor que não entender que as vantagens comparativas do Brasil ainda são muito atraentes para os investidores. O mundo está a cada dia mais complexo. Ninguém sabe como será o governo Trump nos Estados Unidos. Ninguém consegue prever as consequências reais da saída da Grã-Bretanha da União Européia, nem do crescimento dos partidos radicais de direita na Europa e no resto do mundo. Ninguém pode prever o que acontecerá com a Síria, com a Turquia, com o Oriente Mé- dio, com a China, com a Rússia e com o Sudeste Asiático ou com a Venezuela. O mundo nunca esteve tão conturbado afirmam os mais abalizados analistas internacionais das grandes universidades de todo o mundo. O Brasil tem um estoque genético riquíssimo que estimula a adaptação e a tolerância, temos a maior população de alemães fora da Alemanha; japoneses fora do Japão; italianos fora da Itália. Temos mais libaneses no Brasil que no Líbano! Isso nos faz um país tolerante e quase imune a fundamentalismos. Não temos problemas étnicos ou religiosos sensíveis no Brasil. Temos um território de mais de oito milhões de quilômetros quadrados falando um único idioma e não temos problemas de fronteira. Estamos entre as cinco maiores democracias do mundo, com instituições consolidadas e com independência e mais do que isso temos terra, sol, água e tecnologia para abastecer um planeta cada vez mais faminto. Além disso, sabemos de forma clara as reformas que temos que fazer - previdência, trabalhista, política - e temos um povo que acordou do seu torpor de décadas e que aprendeu a exigir seus direitos e não permitirá mais os engodos do passado, desde a corrupção desenfreada até o populismo inconsequente. Assim, terá medo de 2017 aquele empresário que ficar esperando e não se preparar para a retomada do crescimento que começará neste novo ano. Terá medo o profissional que não se preparar se tornando mais competente e comprometido; o político corrupto; o executivo pouco ético e corruptor; a empresa que ficar esperando que o governo a socorra, enfim aquele brasileiro que não acreditar que o mundo mudou, que o Brasil mudou e que agora é hora de começar a mudar. Enfim, terão medo os mesmos que sempre ficaram parados no acostamento torcendo para que a nebline não baixe e que o Brasil não dê certo.

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