Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Gente de bem?

Gente de bem?

09/03/2017 às 01:19

O bom professor é aquele que nos deixa desconcertados para, depois, refletir e descobrir o tamanho de nossos equívocos. Jamais esquecerei Luciana, socióloga, titular do mestrado da PUC Minas, quando, diante de um texto que eu havia preparado com todo carinho e julgava o máximo, correu os olhos no primeiro parágrafo e me devolveu, perguntando sobre o que era “mineiridade” e “gente de bem”. Como não soube responder, ela acrescentou: “Ou me convence do que se trata ou retire do texto, por favor”.

Todas as vezes que ouço alguém falando “... Nós, que somos gente de bem...”, fico a pensar se é isso mesmo, se aquela pessoa, eu e outros, do clube dos eleitos, somos pessoas de bem, ao contrário das outras, que não nasceram ou não vivem perto de nós, têm hábitos, costumes e atos por nós não aprovados ou preferências partidárias, clubísticas diferentes. Depois de 2014, quando a lua eleitoral Aécio/Dilma deixou sequelas, essa nossa mania de criminalizar o sentimento dos outros ficou mais aflorado e a famosa dicotomia coxinhas/petralhas passou a nos dividir entre bons e maus. Pode alguém, em sã consciência, isentar um partido de todos os nossos males, entre esses mais de 30 que temos? Pode algum petista criticar um tucano, ou um tucano atribuir ao petista nossas mazelas? Ou estamos todos num mesmo barco, que só não afunda por conta do tamanho e da riqueza de nossa pátria mãe gentil?

A gente tem mesmo o direito de espinafrar com os ladrões que atazanam nossa vida, furtando lâmpadas, carro, casa, o que estiver pela frente se, muitos, muitíssimos de nós, gastamos fábulas com especialistas para furtar sinal de TV a cabo ou simplesmente vamos ao Shopping Oi para comprar aparelho que permite o furto indiscriminado? E as madames que param em fila dupla para pegar o filho na escola ou simplesmente ligam o alerta diante do salão de beleza e vai lá dentro agendar o penteado? E a turma que liga para o repórter ou vereador pedindo para “agilizar” uma vaga hospitalar, ou seja, furar a fila de internação e cuidar do parente, sem se preocupar com a morte do outro, que aguarda vez?

Outro exemplo: a Cemig realizou, nesta semana, um novo mutirão de inspeções na capital, desta feita em bares e restaurantes da Avenida Fleming, na Pampulha, e em um condomínio do Bairro Serra Verde. Foram executadas 42 verificações que resultaram em 300 cortes de energia. Além disso, um comerciante foi flagrado, minutos após seu estabelecimento ser desligado por falta de pagamento, tentando religar por contra própria a energia.

O mesmo procedimento já foi feito no Edifício Maletta, um dos mais tradicionais prédios da cidade, e em restaurantes chiques do Bairro Lourdes, com descoberta de várias irregularidades. Furto mesmo. As perdas da empresa chegam a R$ 300 milhões por ano.

Gente de bem? Tá.

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