Emanuel Carneiro

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1966 não foi por acaso...

Parece que foi no mês passado, mas lá se vão 50 anos. Para quem viu os jogos, Dirceu Lopes continua dando piques incríveis em cima da atordoada defesa...

28/11/2016 às 01:28
1966 não foi por acaso...

Parece que foi no mês passado, mas lá se vão 50 anos. Para quem viu os jogos, Dirceu Lopes continua dando piques incríveis em cima da atordoada defesa do Santos.

O Cruzeiro festeja o seu primeiro título nacional com toda justiça. A decisão contra o Santos mudou o clube e também o futebol nacional.

Algumas lendas precisam ser resgatadas, confirmadas ou desmentidas.

A primeira delas é de que o Cruzeiro era um bando de jovens desconhecidos que surpreendeu o melhor time brasileiro de todos os tempos.

Nada disso. Em março de 66 o Cruzeiro já havia batido o Santos por 4 a 3, num amistoso no Mineirão, com praticamente os mesmos personagens da Taça Brasil em campo.

A máquina celeste passou também por Grêmio e Fluminense, importantes times da época, antes de chegar à grande decisão. O fato novo vindo de Minas já era conhecido em todo Brasil.

Outra lenda é de que o time de Ayrton Moreira teve grandes investimentos. O que na verdade aconteceu é que os jogadores se encaixaram aos poucos. Chegaram do time júnior Pedro Paulo, Natal e Dirceu Lopes. Zé Carlos caiu do céu vindo de Juiz de Fora.

Neco saiu do Villa, passou rápido pelo Corinthians e veio barato. William, campeão brasileiro e cria de Galo, voltou do América-RJ. Procópio teve uma briga no Galo e mudou de lado. Estava formada a antiga zaga do Atlético. Raul, todos sabem, chegou do contrapeso numa transação com o São Paulo.

Piazza saiu do Renascença. Evaldo caiu como luva chegado do Fluminense, com custo quase zero. Também do Flu, retornou o ponta Hilton Oliveira. Tostão já estava no profissional do Cruzeiro desde 63 e tinha sido companheiro de Pelé na Copa da Inglaterra. O comandante Ayrton Moreira, de funcionário administrativo, assumiu em 64. A receita estava pronta, o banquete veio depois e durou alguns anos.

A torcida se multiplicou e, com dirigentes apaixonados e competentes, os grandes craques permaneceram até a saída de Tostão em 72 . Meio século é passado desde aquela noite chuvosa de 7 de dezembro de 66, no Pacaembu.

Há jogos que se recusam a terminar no apito final. Quando Armando Marques encerrou o Cruzeiro 3x2 Santos, na verdade ele dava a saída para uma história inesquecível.

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