Mateus Castanha

Coluna do Mateus Castanha

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O time de um jogo só

Ainda que os jogadores digam o contrário, a verdade é que a derrota para o Botafogo praticamente sepultou qualquer chance de título do Atlético...

17/10/2016 às 08:18

Ainda que os jogadores digam o contrário, a verdade é que a derrota para o Botafogo praticamente sepultou qualquer chance de título do Atlético no Brasileirão. Se descontar oito pontos em sete rodadas já seria tarefa inglória para o líder Palmeiras, por exemplo, imagine então para o Galo, que passou todo o campeonato buscando um padrão e uma regularidade que jamais vieram.

Mais que a diferença de pontos em relação ao primeiro colocado, o que me assusta mesmo é essa falta de ‘cara’, de identidade da equipe. Ok, o clube sofreu com inúmeras lesões ao longo da temporada, especialmente no segundo semestre, mas ainda assim é inadmissível que um time com a qualidade técnica do Atlético e com tantas opções no elenco termine o ano sem ter conseguido mostrar nenhum padrão tático.

Forçando a memória e sendo um pouco exigente, dá pra cravar que a única grande partida do Galo no Brasileiro foi contra o Palmeiras, no fim do primeiro turno. Naquela oportunidade, o time mostrou todos os atributos que se espera de um candidato ao título: firmeza defensiva, maturidade pra ‘cozinhar’ um adversário que já liderava o certame e jogava em casa, além de frieza e qualidade para matar o jogo.

Só que parou por aí. Nas demais rodadas o Atlético foi meramente o time das individualidades. Ganhou os jogos que ganhou e está entre os primeiros há tanto tempo porque tem um elenco melhor que a maioria, porque jogadores como Fred, Robinho, Pratto, Maicosuel, Cazares (antes da lesão), entre outros, vão lá e decidem os jogos. Mas time, time mesmo, isso o Galo jamais teve no Brasileirão.

E nesse caso o principal culpado é o técnico Marcelo Oliveira, que até agora não conseguiu montar um time confiável – assim como já havia acontecido quando estava no Palmeiras, diga-se de passagem. De que adianta ter o segundo melhor ataque da competição se a defesa é a mais vazada entre os nove primeiros? De que adianta fazer um jogo excelente contra o líder e não conseguir repetir o mesmo nível de atuação no restante do campeonato? De que adianta ter Fred e Pratto no elenco se não se encontra uma maneira adequada para eles jogarem juntos? De que adianta ficar engessado num esquema tático que quase sempre permite ao adversário inúmeras oportunidades de gol?

Claro que o ano ainda não acabou. A vaga na Libertadores está praticamente assegurada – 99% de chances, segundo o site Infobola – e a chance de título ainda existe na Copa do Brasil. Mas, independentemente do que aconteça até dezembro, a impressão que fica para mim é a de que este Atlético poderia muito mais.

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