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Em 'Por um punhado de dólares', diretor usa drama humano para falar de economia

Por Agência Estado , 20/03/2017 às 13:38
atualizado em: 21/03/2017 às 15:49
Foto: Divulgação
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Logo no começo de Por um punhado de dólares – os novos emigrados um letreiro informa que, todo ano, em todo o mundo, 200 milhões de pessoas saem de seus países em busca de melhores oportunidades longe de casa. Essas pessoas movimentaram, em 2014 US$ 400 bilhões. Numa entrevista por telefone, do Rio, o diretor Leonardo Dourado retifica o número – em 2016, segundo dados do Banco Mundial, foram US$ 600 bilhões.

Por um punhado de dólares – nada a ver a com spaghetti western de Sergio com o grande Clint, nos anos 1960 – integrou a seleção do É Tudo Verdade em 2014. Estreia agora graças a um edital da Spcine. É um ótimo filme. Talvez, considerando-se a amplitude da geografia humana abordada por Dourado, a amostragem seja reduzida. São basicamente três casos, mas envolvendo os países de onde os imigrantes mais enviam dinheiro para suas famílias (EUA, Alemanha) e o Brasil, claro, por se tratar de um filme brasileiro.

EUA e México, Alemanha e Zâmbia, Brasil e Japão. A família de mexicanos dividiu-se – parte dela preferiu permanecer no México. O zambiano também vive dividido - constituiu família na Alemanha mas ganha mais dinheiro em Munique, o que o obriga a viver longe da mulher e dos filhos. O problema é que 40 pessoas dependem dele em Zâmbia, o que o força continuamente ao sacrifício. Os garotos brasileiros no Japão queixam-se de diferenças culturais inconciliáveis, mas a família também depende deles. Chegam a preparar a ida de mais um irmão para se juntar a eles.

Jornalista, produtor de TV – ex-Fantástico –, Leonardo Dourado abandonou a redação, mas não o hábito de ler nas entrelinhas dos grandes jornais. Foi em uma nota, sobre a movimentação de dinheiro pelos novos imigrados, que ele descobriu o material para seu longa. O filme demorou para ser feito - contingências de produção. Conheceu todo tipo de percalços. Um possível personagem foi assassinado. Uma família desistiu porque o filme exporia que sua situação lá fora não é tão boa quanto tenta fazer crer aos que ficaram no Brasil. São histórias humanas, algumas dolorosas. Expõem fraturas, tensões. Por um punhado de dólares merece atenção.

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