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'Não tem mão de obra' relatam empresários do setor de eventos na hora de contratar em BH

O Brasil tem atualmente mais de 11 milhões de desempregados

Setor de eventos tem vagas e não consegue tratar mão de obra em Belo Horizonte

O Brasil tem, atualmente, mais de 11 milhões de desempregados, mesmo assim, empresários convivem repetidamente com a dificuldade em contratar pessoas. Uma reportagem especial produzida pela Itatiaia, com o repórter Allãn Passos, mostra alguns dos motivos dessa difícil realidade, tanto para quem procura emprego tanto para quem precisa contratar, principalmente no setor de eventos, um dos grandes impactados pela pandemia.

A vice-presidente do Sindicato das Empresas de Eventos de Minas Gerais, Karla Delfim, resume o momento do setor. "Retomada, aquecida, acelerada. Porque nós estamos precisando de contratar com curto prazo. Como a gente teve uma uma demanda reprimida, dois anos sem acontecer eventos, concentrou tudo esse ano. A tendência é que no primeiro semestre a gente consiga voltar 70% a 75% do que era o mercado e que até o final do ano nosso mercado volte a girar 100%."

Segundo Carla Delfim as contratações do setor de eventos poderiam ser em número ainda maior. "Muitas empresas estão procurando pra efetivar há dois, três meses e não estão encontrando esse profissional. Justamente, porque a gente está tendo que capacitar essa nova equipe."

As vagas em aberto são para diversos perfis e engloba desde um carregador, produtor, até o organizador, o cerimonialista, a florista, o garçom, o cozinheiro e o chefe de cozinha. "É uma indústria enorme e realmente tem emprego pra muita gente."

Guilherme Bittencourt tem uma loja de mobiliários e decoração e tem recebido muita procura para atender os eventos nesse momento de retomada. As contratações também voltaram, mas ainda há vagas em aberto.

"Já voltamos a ter o mesmo movimento que tínhamos antes da pandemia. Conseguimos recontratar mais ou menos 80% dos nossos ex-funcionários. Mas, alguns mudaram de mudaram de cidade ou montaram uma atividade própria. Então, realmente estou tendo dificuldade em contratar."

Natália Cavalcante tem uma empresa que monta e direciona equipes para atuar em festas, shows e grandes eventos, e ela tem encontrado dificuldade justamente para achar mão de obra. Natália, no entanto, faz um meia culpa e aponta que os valores pagos nem sempre são tão atrativos assim.

"O que a gente tem observado desde que foi liberado os eventos é uma dificuldade muito grande de montar essas equipes. Recepcionistas, modelos, prestadores de serviço de limpeza e de segurança, carregador. Por um outro lado a gente também vê a dificuldade do contratante de conseguir pagar e praticar valores mais atrativos nessas diárias."

Quanto mais específica a necessidade mais difícil de preencher a vaga, como relata Érica Lana, que tem uma empresa que oferece serviços de iluminação pra festas e eventos em geral. Ela fala em colapso e que tem recusado serviços por falta de equipe.

"Muitas pessoas que trabalhavam nesse setor migraram para outras áreas e aí nós temos que fazer três anos em um. Então, sim, eu acho que essa questão de mão de obra entrou um pouco em colapso. No nosso caso, que a gente tem uma mão de obra bem específica que necessita de conhecimentos técnicos de eletrônica e de elétrica, a gente está com uma dificuldade bem grande de conseguir."

Para piorar um cenário que está ruim, tem vagas ficando em aberto por falta de infraestrutura básica da cidade. No caso de Belo Horizonte, o caos do transporte público, um problema crônico da capital, traz mais esse impacto. Quem relata é Maíra Marcolino, dona de uma hamburgueria que relatou que a falta de ônibus noturno impactou diretamente na hora de fazer contratações.

"Hoje, a gente tá procurando pessoas e a gente encontra pessoas dispostas a trabalhar, porém a gente tá tendo uma falta de apoio do poder público de disponibilizar horários de ônibus pras pessoas retornarem pra casa. Como a hamburgueria funciona até é meia-noite eu tive que reduzir até o meu horário de funcionamento pra onze horas para as pessoas conseguirem voltar pra casa."

Com produção de Pablo Nogueira, trabalhos técnicos de Thiago Castro e reportagem de Allãn Passos.

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